Colite Ulcerativa Refratária: Evolução e Otimização do Tratamento com Ustequinumabe

Enviado por: Bruna de Carvalho Sorrentino

Paciente feminina, 36 anos, com RCU, A1E3. Fez tratamento com mesalazina oral e tópico, azatioprina e budesonida oral. Nunca teve melhora endoscópica, apresentando períodos de remissão/atividade da doença. Em agosto de 2023, me procura, há 5 anos sem tratamento, em atividade franca da doença, história de mono artrite em tornozelo e colono com Mayo 3. Veio já usando corticoide por 2 semanas, com melhora clínica da DII e artrite. Optei por começar anti tnf. Nos exames de preparo surgiu uma lipase alterada, que não se repetiu nos demais e pacientes estava assintomática, porém fiquei com medo de fazer comboterapia. Iniciei então simponi. Quando comecei a desmamar o corticoide lentamente, apresentou colite aguda grave. Internou, foram descartadas CMV, colite pseudomembranosa e outras doenças oportunistas. Melhora com corticoide venoso. Como apresentou falha ao Anti TNF, pensei em
trocar para tofa ou stelara. Não fiz tofa, pois paciente estava anêmica. Comecei stelara de 8/8 semanas. Com 6 meses, apresentava melhora clínica (alguns episódios isolados de sangramento). Fiz nova colono, com remissão endoscópica em cólon D, porém ainda com Mayo 3 no restante. Optei por otimizar stelara 4/4 semanas. 1 mês após otimização estava com remissão clínica. Porém, após 3 meses, voltou a apresentar sangramento.

Parecer Técnico:

Lembrar que budesonida para RCU é a de liberação prolongada a budesonida MMX 9 mg (Ferring esta fora do mercado por enquanto) indicada para casos leves. Perfeita a escolha por anti-TNF. lipase isoladamente alterada não fecha dx (precisamos ter 2/3 com clínica e alteração de imagem), nesse momento não me preocuparia. teria feito combo com IFX + AZA mas a escolha do golimumabe foi ótima! poderia otimizar goli para 100 caso estivesse com 50 mg na manutenção ou IFX, excelente conduta eu particularmente sou fã de tofa para casos graves mas precisamos perguntar se paciente tem prole constituída e orientar risco para gravidez. Precisamos rever a origem desse sangramento que não necessariamente está ligado à atividade inflamatória da doença de base, tem calpro outros marcadores inflamatórios? Uma retossig serviria para ajudar nessa avaliação também

Avaliado por:

Dra. Marjorie Argollo | CRM/SP 127.444
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