Post #535

Paciente 25 anos  iniciou em janeiro de 2025 com dor abdominal, associada a distensão abdominal, náuseas, vômitos e flatulência. Solicitado EDA, colonoscopia sem alterações. Anticorpos doença Celíaca negativos.  Calprotectina fecal, de 3.128. Solicitada entero-TC de ABD, que evidendicou zonas segmentares de alça delgada com anormalidades parietais devido realce padrão de ”estratificação de mucosa”, sugerindo evolução de DII do tipo doença de Crohn. Paciente assintomática no momento, sem dor abdominal, após tratamento de H. pylori.  Submetida a apendicetomia em 01/2026.

 

-Colonoscopia (19/05/2025): até o íleo, com preparo ótimo. Válvula ileocecal e íleo distal endoscopicamente normal. AP: mucosa do delgado e colônica dentro da normalidade.

-R.L. (15/04): anti-gliadina 8.8 (indeteminadao reagente > 10.0) / anti-TTG IgA não reagente /

-EnteroTC de ABD (30/07/2025): zonas segmentares de alça delgada com anormalidades parietais devido realce padrão de ”estratificação de mucosa”, uma situada no íleo terminal por uma extensão de 21 mm e outras na transição jejunoileal, sugerindo evolução de DII do tipo doença de Crohn, não há fistulizações, coleções ou demais complicações.

Me procura hoje, com os exames, já assintomática. Nova calprotectina fecal de 2.620. Solicitaria algum outro exame para para ajudar a fechar o diagóstico? Foi solicitada cápsula endoscópica pelo convênio anteriormente, negada.

Diante da ausência de sintomas no momento optaria por Budesobida de liberação entérica e reavaliaria calprotectina após? Ou iniciria imunobiológico?

 

Post #531

Paciente 70 anos, portadora de HAS, DM NIR e artrose, em seguimento desde 2013 com hematologista por anemia, com reposição oral intermitente. EDA e colonoscopia de 2024, já para investigação de anemia, sem alterações. Hb 9.6, ferro serico 25. Fecal (03/26): 1.041.

Solicitado cápsula endoscópica para investigação de anemia, com múltiplas erosões planas e hiperemiadas em jejuno e íleo.  Paciente com diarreia crônica, 3 episódios de fezes líquidas/dia, com urgência evacuatória.  Sorologias de doença celíaca negativas.

Paciente com diarreia, calprotectina fecal elevada e anemia crônica. Pensaria e doença de Crohn de delgado? Qual seria a escolha terapêutica. Paciente com convênio.

Doença de Crohn grave- SUS

Paciente proveniente do SUS com diagnóstico de Doença de Crohn há aproximadamente 1 ano, porém com sintomas há cerca de 2 anos. Apresentou inicialmente quadro de tenesmo, sangramento retal, dor abdominal e diarreia (>10 evacuações/dia). Evoluiu com doença perianal complexa, sendo submetido à drenagem de abscesso e cirurgia de fístula anal.

Recebeu infliximabe associado à azatioprina, porém realizou apenas 3 infusões, sem resposta clínica percebida, sendo então substituído precocemente por vedolizumabe pelo médico assistente da época. Atualmente encontra-se ainda em fase de indução do vedolizumabe (apenas 2 doses realizadas). Veio em consulta comigo neste momento.

Desde o diagnóstico, nunca atingiu remissão clínica, mantendo atividade inflamatória persistente. Atualmente apresenta dor abdominal intensa, diarreia superior a 20 evacuações ao dia (só durante a minha consulta foi ao banheiro 4x), retorno da fístula, drenagem purulenta contínua pela região perianal (necessitando uso de absorvente) e perda ponderal de aproximadamente 40 kg, com peso atual de 47 kg.

RNM de pelve (05/2026): fístula perianal transesfincteriana, sem coleções.
Hemoglobina: 8,9 g/dL.
Plaquetas: 550.000/mm³.

Fiz a colonoscopia recente que evidenciou acometimento inflamatório contínuo do reto ao ceco, caracterizado por intenso enantema difuso, apagamento do padrão vascular, marcada friabilidade mucosa, múltiplas ulcerações  profundas, além de pontes mucosas, sem áreas de mucosa preservada. Íleo terminal sem alterações endoscópicas. Presença de trajeto fistuloso e ulcerações em canal anal/períneo.

O paciente está muito debilitado, perdeu emprego, parou de estudar… uma tristeza!

Pedi vários exames que ele ainda não tinha, incluindo rastreio infeccioso e calprotectina… a minha dúvida é: excluída infecção sobreposta e considerando o cenário do SUS, visto que é um perfil de paciente mal respondedor ao Vedo.. vocês tentariam novamente o IFX em dose otimizada com azatioprina, e corticoterapia no início? Pensariam em judicializar outra classe?

É doença inflamatória intestinal?

Paciente 73 anos, portadora de HAS, dislipidemia e intolerância a glicose. Realizou colonoscopia preventiva em 2022, com erosões esparsas no ceco e cólon direito.

Refere HI Beistol 4-5, cerca de 1-2 evacuações/dia, as vezes com uma evacuação líquida ao ingerir derivados do leite. Sempre foi assim, sem mudança recente.

Repetiu colonoscopia em 10/2025: observa-se no ceco e cólon ascendente mucosa com edema, hiperemia e várias úlceras aftóides distribuídas nesse segmento. No transverso proximal, próximo ao ângulo hepático com uma úlcera rasa, com 6mm. Demais segmentos sem alterações.

Fecal 02/26: 232>> 05/26 298. Entero TC sem alterações, apenas com sigmoide redundante, preenchido por resíduos fecais.

É doença de Crohn? Fazer corticoide e observaria?

 

Obrigada!

Doença de Crohn fistulizante

Paciente masculino, 42 anos, com antecedente de duas correções cirúrgicas de fístulas perianais, sem diagnóstico prévio de doença inflamatória intestinal. Negava dor abdominal, diarreia, perda ponderal ou outras manifestações digestivas, mantendo hábito intestinal preservado.

Foi submetido à colonoscopia devido queixa de doença hemorroidária, que evidenciou úlceras em íleo terminal, além de pólipos inflamatórios em íleo e reto. A mucosa colônica e retal apresentava aspecto endoscópico preservado. O anatomopatológico confirmou Doença de Crohn em atividade. Chegou para mim aqui.

Exames complementares:

– RM de pelve (21/07/2025): fístula perianal interesfincteriana à esquerda, com origem entre 4-5 horas, trajeto descendente e superficialização cutânea na prega interglútea esquerda, sem coleções ou abscessos associados.
– Laboratoriais (25/07/2025): ANCA reagente 1:20, c-ANCA e p-ANCA não reagentes / Vitamina B12: 177 pg/mL / PCR < 6,5 mg/L / Albumina: 4,3 g/dL
Vitamina D: 18 ng/mL /Calprotectina fecal: 38 mcg/g

Considerando o fenótipo fistulizante, foi iniciado infliximabe em setembro de 2025, associado a nova abordagem cirúrgica da fístula perianal.

Após a primeira infusão (19/09/2025), o paciente apresentou reação tardia caracterizada por artralgia intensa iniciada cerca de 72 horas após a aplicação, com duração aproximada de duas semanas. Após a segunda infusão, voltou a apresentar artralgia associada à febre, com melhora após corticoterapia em ambiente hospitalar.

Apesar desses eventos, resolvi insistir no infliximabe devido à ausência de critérios de reação grave e pelo entendimento de que seria a terapia biológica mais adequada para seu fenótipo de doença. Após a segunda dose foi introduzida azatioprina 150 mg/dia com o objetivo de reduzir imunogenicidade e otimizar a persistência terapêutica. Desde então, o paciente passou a tolerar adequadamente as infusões subsequentes.

Atualmente permanece assintomático do ponto de vista clínico. Entretanto, em junho de 2026, aproximadamente 9 meses após o início do infliximabe, foi realizada nova colonoscopia que demonstrou persistência de atividade inflamatória em íleo terminal.

Gostaria da opinião e orientação de vocês sobre alguns pontos:

– Considerando o início do infliximabe em setembro de 2025, a persistência de atividade endoscópica em junho de 2026 ainda poderia ser compatível com um tempo insuficiente para cicatrização mucosa completa, especialmente em doença ileal?
– As reações tardias ocorridas nas duas primeiras infusões poderiam sugerir imunogenicidade precoce com potencial impacto na eficácia a longo prazo, mesmo após a introdução subsequente da azatioprina?
– Neste cenário, vocês realizariam monitorização terapêutica com dosagem sérica de infliximabe (vale) e anticorpos anti-infliximabe antes de considerar otimização de dose ou troca de mecanismo de ação?
– Em um paciente assintomático, com biomarcadores inflamatórios historicamente baixos e atividade endoscópica persistente, qual seria a conduta predominante dos colegas?

Muito obrigada

Pancolite induzida por Dasatinibe?

Paciente de 48 anos, portador de leucemia mieloide crônica (diagnóstico há 15 anos) em uso de Dasatinibe há 5 anos, iniciou há 1 ano quadro de diarreia crônica (7-10 episódios/dia) com muco e sangue associado a dor abdominal em abdome inferior e perda ponderal. Tem três parasitológicos seriados com Entamoeba histolytica (último agosto/25), com múltiplos tratamentos para parasitose (Metronidazol/ Secnidazol/ Tinidazol/ Nitazoxanida), sem melhora. Sem manifestações extra intestinais associadas.

Realizou colonoscopia (Nov/25) com pancolite (RCUI?) e histopatológico evidenciando: íleo normal/ Ceco: colite crônica ativa discreta com plasmocitose basal/ Cólon ascendente: colite crônica ativa moderada com plasmocitose basal/ Cólon transverso: colite crônica ativa discreta com plasmocitose basal/ Cólon sigmoide: colite crônica ativa discreta com plasmocitose basal/ Reto: Colite crônica ativa discreta com plasmocitose basal.

Imunohistoquímica negativa para etiologia viral.

Teve melhora importante com Mesalazina 4,8g/dia associada a Prednisona 40mg/dia, porém nova piora dos sintomas após retirada do corticoide.

Atualmente com Mayo de 9pts. No aguardo de resultados de exames laboratoriais, novo parasitológico seriado e resposta da hematologista assistente.

A colite induzida pela imunoterapia seria a primeira hipótese? A melhor alternativa terapêutica no momento seria suspensão do imunoterápico e indução com Vedolizumabe?

 

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