Diarreia crônica em investigação.

Paciente masculino, 61 anos, com antecedentes de hipertensão arterial sistêmica, hiperuricemia, micose fungoide em fototerapia e esteatose hepática, previamente sem seguimento ou tratamento estruturado.

Em janeiro de 2024, procurou atendimento após achado incidental de esteatose hepática em tomografia computadorizada solicitada para investigação de quadro agudo de colite. À época, apresentava sobrepeso e consumo moderado de álcool. O escore FIB-4 foi de 1,27, sugerindo baixo risco de fibrose avançada naquele momento. Observou-se ferritina de 700 ng/mL, tendo sido indicada sangria terapêutica, a qual não foi realizada. Sorologias para hepatites virais e investigação sorológica para doenças hepáticas autoimunes foram negativas. Foi orientado quanto à cessação do consumo alcoólico, perda ponderal e realização de colonoscopia de rastreamento, exame que nunca havia sido realizado previamente.

O paciente retorna em agosto de 2025 com queixa de diarreia crônica, não invasiva. Relata que seu filho foi diagnosticado com retocolite ulcerativa em julho de 2025. A investigação revelou calprotectina fecal de 635 µg/g. Foi realizada nova colonoscopia:

colonoscopia: Preparo intestinal excelente. Aparelho introduzido por todos os segmentos do cólon até o ceco, identificando e ultrapassando a válvula ileocecal, examinando o íleo terminal numa extensão de aproximadamente 20 cm. Íleo terminal com calibre, distensibilidade, motilidade e mucosa normais. Válvula ileocecal de aspecto normal. Presença de pólipo séssil, circulares, de superfície lisa e coloração semelhante à da mucosa adjacente, medindo 5 mm de diâmetro cefálico e 4 mm de projeção luminal, situado no reto. Restante do ceco, cólon ascendente, cólon transverso, cólon descendente, sigmoide e reto de calibre, distensibilidade, motilidade, vascularização, haustrações e mucosa normais.

Histopatológico: A – ÍLEO/ B – CÓLON DIREITO/ C – CÓLON ESQUERDO/ D – RETO/ E – PÓLIPO DO RETO

MICROSCOPIA:
A – Os cortes histológicos dos fragmentos da mucosa ileal mostram glândulas mucosas preservadas em número e forma, superficialmente recobertas por células epiteliais sem atipias. O estroma contém alguns folículos linfóides. O tecido encontra-se dentro dos padrões histopatológicos de normalidade.
B – Os cortes histológicos da mucosa do intestino grosso exibem glândulas preservadas em número e forma, revestidas por epitélio discretamente hiperplásico, sem atipias celulares. A lâmina própria apresenta edema e infiltrado linfo-plasmocitário.
C e D – Fragmentos da mucosa do intestino grosso apresentando glândulas preservadas em número e forma, revestidas por epitélio hiperplásico, sem atipias celulares. Em alguns focos observa-se a permeação epitelial por neutrófilos. A lâmina própria exibe celularidade aumentada, com predomínio de linfócitos e plasmócitos.
E – Lesão de natureza benigna (hiperplásica), do intestino grosso, formada por aumento numérico da população de glândulas mucosas, que aparecem revestidas por células mucossecretoras com núcleos basais, sem atipias displásicas.

CONCLUSÃO:
A – MUCOSA ILEAL SEM ALTERAÇÕES HISTOPATOLÓGICAS RELEVANTES.
B – ALTERAÇÕES INFLAMATÓRIAS DE LEVE INTENSIDADE DA MUCOSA COLÔNICA, INESPECÍFICAS.
C e D – ALTERAÇÕES INFLAMATÓRIAS DE MODERADA INTENSIDADE, COM ATIVIDADE NEUTROFÍLICA.
OBS.: O quadro inflamatório não apresenta abscessos de cripta e atrofia glandular. Estes achados seriam um indicativo importante para o diagnóstico de Doença Inflamatória Intestinal.
E – PÓLIPO HIPERPLÁSICO DO INTESTINO GROSSO.

Parecer Técnico:

Caso interessante. Incluiria na minha investigação teste respiratório para supercrescimento (muito comum na síndrome metabólica), insuficiência exócrina do pâncreas com elastase fecal e avaliação de delgado com USG ou enterografia por TC ou RNM. Na ausência de alterações macroscópicas não podemos prosseguir com a possibilidade de doença de Crohn ou retocolite ulcerativa. os achados histopatológicos não sugerem colite microscópica…. Caso não confirme outras alterações faria um ciclo m=com mesalazina por 3 meses e repetiria a calprotectina fecal. Se normal a cada 3-4 meses monitorar de forma não invasiva com lab e calpro.

Avaliado por:

Dra. Marjorie Argollo | CRM/SP 127.444
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