Doença de Crohn com manifestações intestinais e perianais após 10 anos sem tratamento

Enviado por: Rafael Cypriani

Paciente GLC, sexo feminino , 36 anos
Refere diagnóstico prévio de doença de Crohn em 2011 (sem documentos comprobatórios anteriores) com relato de uso de mesalazina, corticoide e Adalimumabe em 2014, por 1 ano.
Com suspensão do tratamento por conta própria desde então, mantendo-se assintomática.
Comparece em consulta em fevereiro de 2024 com episódios de diarreia, inicialmente de 3 a 5 episódios , posteriormente até 10 evacuações, com presença de sangramento em pequena quantidade na maioria das evacuações , dor abdominal leve e distensão. Perda de peso, intencional, de 8 kg.
Associava parte dos sintomas a consumo de leite e derivados.
No exame físico, presença de fístula perianal única sem sinais de abscesso.

AP- psoríase
Irmã com Crohn
Em uso de pantoprazol

Teste de intolerância alimentar negativos
Sorologias negativas
Calprotectina fecal 174

Eda pangastrite
Colonoscopia 04/2024- pólipo de transverso) não trouxe Anatomo)
Íleo normal

EnteroRm 07/2024- espessamento parietal segmentar de íleo terminal. Transmural, 6,6 cm de extensão, reduzindo levemente a luz, sem obstrução ao trânsito. Sem sinais inflamatórios agudos, com realce difuso não estratificado da parede. O aspecto sugere possibilidade de alterações inflamatórias crônicas, associada a alterações fibróticas.

Paciente relutante em relação ao possível diagnóstico.Em última consulta em 10/24 prescrito ATB e corticoide por saída de secreção perianal e exacerbação dos episódios de diarreia, solicitados exames complementares, programando tratamento. Paciente não retornou. Faltou em pelo menos 4 consultas agendadas, inclusive no dia de hoje.

Com estes achados fecharia o diagnóstico de Crohn? Ou acha necessário alguma complementação extra? Repetir algum dos exames? A história atual não é totalmente compatível com os exames, que não mostram atividade aguda de doença. No entanto não há achados que remetam a outra etiologia.
Considerando tratamento prévio relatado, qual seria a melhor opção terapêutica? Consideraria esse uso prévio e já reintroduziria imunobiológico? Retomaria adalimimabe?

Parecer Técnico:

Sim consideraria possibilidade de crohn segmentar em íleo terminal estenosante curta 6.6 cm sem sinais evidentes de atividade inflamatórias. sintomas podem estar associados à estenose, pesquisaria SIBO e faria RNM de pelve para melhor avaliação da doença perianal. Se fístula complexa voltaria com IFX em comboterapia se fístula simples observaria apenas visto que a paciente sente-se desconfortável com dx. abordagem cirúrgica duvido que vá aceitar… tem história familiar sugestiva.

Avaliado por:

Dra. Marjorie Argollo | CRM/SP 127.444
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