Estenose Cicatricial em Doença de Crohn do Íleo

Enviado por: Louise Deluiz Verdolin Di Palma

Paciente 20 anos, iniciou quadro de diarreia invasiva, acompanhada de febre em agosto de 2023, evoluindo com fístulas perianais em dezembro do mesmo, com perda ponderal de 9 kg desde o início dos sintomas. As fístulas motivaram atendimento com proctologista que encaminhou a paciente ao meu consultório para avaliação. Primeira consulta 18/03/2024. Suspeita DC => solicitados exames abaixo.

Exames:
PPD 15/04/2024 => 0 mm
Rx de tórax 12/04/2024 = normal
Calprotectina= 3130
Colonoscopia 08/04/2024 = Íleo terminal apresentando várias ulcerações geográficas moderadamente profundas, de bordas regulares, fundo fibrinoso, rodeadas por edema e hiperemia, entremeadas por mucosa de aspecto normal, medindo até 20 mm no maior eixo, dispostas circunferencialmente em toda a extensão examinada, predominando nitidamente nos 8 cm distais, onde há enrijecimento parietal, que compromete distensibilidade e motilidade.
Restante do ceco, cólon ascendente, cólon transverso, cólon descendente, sigmoide e reto de calibre, distensibilidade, motilidade, vascularização, haustrações e mucosa normais.

Conclusão: O aspecto endoscópico é muito sugestivo de doença de Crohn do íleo em atividade.
Histopatológico= ileite intensa ulcerada. Orientada na primeira consulta a realização de imunização já pensando na alta probabilidade de início de terapia biológica. => Início de infliximab=> 17/05/2024 em comboterapia com a azatioprina.
Paciente evoluiu com boa resposta clínica e laboratorial, evoluindo com calprotectina 35,8 e recuperação do peso e da anemia.

Exames atuais de seguimento:
Colonoscopia: 13/04/2025- retrações cicatriciais e estenose de ileo terminal (doença de Crohn em remissão endoscópica)- correlacionar com histopatológico.
Bx: Biópsia de íleo terminal: – Mucosa colônica reativa (ver nota).
Lâmina própria com fibroplasia, leve aumento numérico de eosinófilos difusamente distribuídos, agregado linfoide.
Nota: alterações reativas inespecíficas podem ser vistas após resolução de processo inflamatório autolimitado. Necessária correlação com dados clínicos e colonoscópicos.
Calprotectina 10/02/2025- 72,6 µg/g. Paciente tem dor abdominal constante e tem programação de dilatação da estenose cicatricial do íleo. A paciente é bailarina e passou em um curso de balé na Itália, com programação de permanecer 11 meses lá. A família me questionou se haveria possibilidade de trocar a medicação para que ela consiga fazer na Itália- ex adalimumab SC.

Eu acho que o ideal seria manter a medicação e fazer a paciente voltar a cada 2 meses para infusão. Gostaria de saber a opinião das professoras. Obrigada

Parecer Técnico:

Lindo caso e conduta perfeita parabéns! Idealmente concordo que o ideal seria continuar com a medicação que induziu a remissão. Entretanto, ponderando a questão da logística e não deixaer essa paciente sem tratamento como ela foi uma boa respondedora à classe dos anto-TNFs ponderaria sim a troca para adalimumabe SC deixando claro que existe possibilidade de recaída da doença. Em algum momento essa paciente precisará de cirurgia pela estenose fibrótica sintomática. Impossível essa paciente retornar para fazwr infusão a cada 8 semanas. Agora como essa paciente terá acesso ao adalimumabe por lá?

Avaliado por:

Dra. Marjorie Argollo | CRM/SP 127.444
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