fernanda ramos
Recebi doação do infliximabe de marcas diferentes para indução ( 8 Xilfya e 4 Remicade). Teria algum problema??
LEONORA COUTO
Paciente de 34 anos, ha 2 anos apresentou diarreia liquida sem sangue ou muco, persistente por alguns meses.
Realizou em 2024 colono, que evidenciou íleo normal, reto normal, e apenas colite direita leve –> áreas de enantema em colon direito sem ulcerações, sem fibrina, e sem apagamento da vascularização submucosa. Biopsia apenas com infiltrado linfoplasmocitario em colon direito, sem granulomas, sem criptite, sem distorção arquitetural. EnteroTC de 2024 era normal.
Médico assistente da época passou mesalazina VO 1600 mg/dia. Reduziu mesalazina 800 mg em 2025, Repetiu colono em 2025 , agora demonstrando: íleo terminal com pequenas áreas de granulações, válvula ileocecal e ceco normais. Segmentos colonicos normais. Mucosa retal friável e com área de hiperemia , friabilidade, e pequenas ulcerações – laudo : retite e ileite leve
Histopatológico 2025: biópsias de íleo , colon e reto normais! Ausência de infiltrado inflamatório tanto em íleo, quanto em cólon e reto. Arquitetura preservada em todos os segmentos.
Nega histórico de relação sexual anal. Sorologia HIV negativa, VDRL negativo.
Achei o quadro estanho! Inicialmente reto poupado e enantema inespecífico em colon direito – provavelmente algo infeccioso em 2024? Agora, apresentando uma retite que poderia corresponder à RCU, contudo, histopatológico absolutamente normal. Em uso de subdose de mesalazina prescrita por outro médico.
Swab anal mesmo sem relatar histórico de relação anal – IST? Suspendo mesalazina que já esta em subdose?
Ananda Castro Chaves Ale
Paciente SUS com 48 anos, portadora de CEP e RCU, evoluindo com piora da frequência evacuatória (cerca de 10-15 episódios/dia) associada a dor em FIE e febre intermitente. Queixa ainda de artralgia. Em uso de: 4,8g/d de Mesalazina (sai o cp inteiro nas fezes – solicitado mesalazina sachê, ainda sem previsão de chegada), 100mg/d de Azatioprina, 1800mg/d de Ursacol e Vedolizumabe 300mg a cada 4 semanas – dose otimizada há 1 ano. MAYO clínico 10pts.
Colonoscopia (nov/25): RCU em atividade endóscopica grave – classificação endoscópica de MAYO 3 – pancolite.
Biópsias: Íleo: Ileíte discreta focalmente ativa.
Ceco: Colite focalmente ativa.
Cólon ascendente: Sem particularidades histológicas.
Cólon transverso: Colite aguda ulcerada (presença de crosta fibrinoexsudativa) com incremento de eosinofilia em córion – criptas preservadas. Eosinofilia presente (50 cel CGA). Linfocitose intraepitelial não detectada. Agentes parasitários não detectados.
Cólon descendente: Colite crônica discreta em atividade com incremento de eosinofilia em córion – Eosinofilia presente (28 cel CGA).
Cólon sigmoide: Colite crônica discreta em atividade com incremento de eosinofilia em córion e as seguintes características – Eosinofilia presente (50 cel CGA).
Reto: Proctite crônica discreta. Eosinofilia presente (37 cel CGA).
Prescrevi tratamento para parasitose e prednisona 40mg/dia. Restrição dietética pode ser utilizada pensando em colite eosinofílica sobreposta? Infliximabe seria o melhor imunobiológico para troca?
Louise Verdolin
Paciente masculino, 61 anos, com antecedentes de hipertensão arterial sistêmica, hiperuricemia, micose fungoide em fototerapia e esteatose hepática, previamente sem seguimento ou tratamento estruturado.
Em janeiro de 2024, procurou atendimento após achado incidental de esteatose hepática em tomografia computadorizada solicitada para investigação de quadro agudo de colite. À época, apresentava sobrepeso e consumo moderado de álcool. O escore FIB-4 foi de 1,27, sugerindo baixo risco de fibrose avançada naquele momento. Observou-se ferritina de 700 ng/mL, tendo sido indicada sangria terapêutica, a qual não foi realizada. Sorologias para hepatites virais e investigação sorológica para doenças hepáticas autoimunes foram negativas. Foi orientado quanto à cessação do consumo alcoólico, perda ponderal e realização de colonoscopia de rastreamento, exame que nunca havia sido realizado previamente.
O paciente retorna em agosto de 2025 com queixa de diarreia crônica, não invasiva. Relata que seu filho foi diagnosticado com retocolite ulcerativa em julho de 2025. A investigação revelou calprotectina fecal de 635 µg/g. Foi realizada nova colonoscopia:
colonoscopia: Preparo intestinal excelente. Aparelho introduzido por todos os segmentos do cólon até o ceco, identificando e ultrapassando a válvula ileocecal, examinando o íleo terminal numa extensão de aproximadamente 20 cm. Íleo terminal com calibre, distensibilidade, motilidade e mucosa normais. Válvula ileocecal de aspecto normal. Presença de pólipo séssil, circulares, de superfície lisa e coloração semelhante à da mucosa adjacente, medindo 5 mm de diâmetro cefálico e 4 mm de projeção luminal, situado no reto. Restante do ceco, cólon ascendente, cólon transverso, cólon descendente, sigmoide e reto de calibre, distensibilidade, motilidade, vascularização, haustrações e mucosa normais.
Histopatológico: A – ÍLEO/ B – CÓLON DIREITO/ C – CÓLON ESQUERDO/ D – RETO/ E – PÓLIPO DO RETO
MICROSCOPIA:
A – Os cortes histológicos dos fragmentos da mucosa ileal mostram glândulas mucosas preservadas em número e forma, superficialmente recobertas por células epiteliais sem atipias. O estroma contém alguns folículos linfóides. O tecido encontra-se dentro dos padrões histopatológicos de normalidade.
B – Os cortes histológicos da mucosa do intestino grosso exibem glândulas preservadas em número e forma, revestidas por epitélio discretamente hiperplásico, sem atipias celulares. A lâmina própria apresenta edema e infiltrado linfo-plasmocitário.
C e D – Fragmentos da mucosa do intestino grosso apresentando glândulas preservadas em número e forma, revestidas por epitélio hiperplásico, sem atipias celulares. Em alguns focos observa-se a permeação epitelial por neutrófilos. A lâmina própria exibe celularidade aumentada, com predomínio de linfócitos e plasmócitos.
E – Lesão de natureza benigna (hiperplásica), do intestino grosso, formada por aumento numérico da população de glândulas mucosas, que aparecem revestidas por células mucossecretoras com núcleos basais, sem atipias displásicas.
CONCLUSÃO:
A – MUCOSA ILEAL SEM ALTERAÇÕES HISTOPATOLÓGICAS RELEVANTES.
B – ALTERAÇÕES INFLAMATÓRIAS DE LEVE INTENSIDADE DA MUCOSA COLÔNICA, INESPECÍFICAS.
C e D – ALTERAÇÕES INFLAMATÓRIAS DE MODERADA INTENSIDADE, COM ATIVIDADE NEUTROFÍLICA.
OBS.: O quadro inflamatório não apresenta abscessos de cripta e atrofia glandular. Estes achados seriam um indicativo importante para o diagnóstico de Doença Inflamatória Intestinal.
E – PÓLIPO HIPERPLÁSICO DO INTESTINO GROSSO.
Ananda Castro Chaves Ale
Paciente de convênio 29 anos, sem comorbidades prévias, em tratamento para RCU há cerca de 5 meses em outra unidade, em uso de Mesalazina 4,8 g/d e prednisona 40mg/dia. O mesmo refere múltiplos episódios diarreicos (cerca de 10 episódios/dia) com sangue na maior parte das vezes, febre intermitente e perda de 35kgs no período. Negou manifestações extraintestinais.
Calprotectina superior a 800.
Colonoscopia (agosto/25): Ileíte e colite inespecíficas.
Bx de íleo: Inflamação crônica com hiperplasia linfoide.
Bx de ceco: Colite crônica com discreta atividade e alterações regenerativas.
Bx de cólon ascendente: Colite crônica com discreta atividade e alterações regenerativas e hiperplasia linfóide.
Bx de cólon transverso: Colite crônica com discreta atividade e alterações regenerativas e hiperplasia linfóide.
Bx de cólon descendente: Colite crônica com discreta atividade e alterações regenerativas e hiperplasia linfóide.
Bx de sigmoide: Colite crônica com discreta atividade e alterações regenerativas e hiperplasia linfóide.
Bx de reto: Retite crônica leve.
Solicitei sorologias e preparo para terapia biológica e veio com HIV positivo. Solicitei carga viral e CD4 e iniciei TARV. Fiquei preocupada em ser colite infecciosa devido o HIV e solicitei imunohistoquímica das peças. Se for confirmada mesmo RCU, o melhor biológico seria o Vedolizumabe? Tem algum corte para cd4/carga viral para iniciar terapia imunossupressora/biológica?
Louise Verdolin
Paciente homem 30 anos, iniciou atendimento comigo em julho de 2025.
Nesta consulta referia dores abdominais associada a diarreia desde o início de 2023. A dor acontecia em ciclos, relatando “crises piores” em julho de 2024 e outubro do mesmo ano. Havia melhora parcial com uso de antibiótico e mesalazina, prescrito por outro colega. Houve perda ponderal associada ao quadro e o paciente tinha episódios noturnos de diarreia.
Foi investigado na época com: Colono 06/2023- íleo com 2 erosões puntiformes recobertas por fina camada de fibrina- Doença inflamatória intestinal? Conclusão do histopatológico- quadro histológico consistente com doença intestinal inflamatória.
Repetiu exames: Colono 04/10/2024- 15 cm de íleo examinados- presença de lesões esparsas, com halo de edema, hiperemia e fibrina no fundo da lesão. Conclusão: ileite inespecífica.=> na época relatou uso de anti-inflamatório. Histopatológico 04/10/2024- ileite focalmente erosiva. Os achados podem estar associados a colites infecciosas (especialmente yersínia) e reação a drogas (AINES).
Após a primeira consulta comigo foram solicitado novos exames endoscópicos, exame de fezes e imagem. Tomografia de abdômen foi normal. Exame de fezes revelou Calprotectina 9 (normal), coprocultura negativo e antígeno de entamoeba positivo. Laboratório com eosinofilia. Sorologias negativas para doença celíaca. Suspensa mesalazina. Prescrito tratamento para parasitose (fez 2 ciclos, pois no primeiro teve pouca resposta clínica).
Resultado da Histopatológico da colonoscopia:
íleo (normal)
biópsia de cólon direito e esquerdo: Mucosa de intestino grosso com alterações inflamatória discreta, inespecífica.
Presença de áreas focais com aumento discreto de linfócitos intraepiteliais.
Presença de áreas focais com aumento moderado de eosinófilos na lâmina própria.
Considerações do patologista: => 1) O quadro histológico visto nas amostras do cólon e reto é inespecífico, não se pode afastar com certeza a possibilidade de colite linfocítica.
=> 2) Eosinofilia do trato gastrointestinal, mesmo em pequena quantidade como nesse caso, pode estar associado a condições parasitárias ou alergia alimentar.
Na época o paciente tratou parasitose e ficou 6 meses bem, sendo a eosinofilia vista na biópsia atribuída por mim à parasitose. Quando o mesmo voltou a ter sintomas, foi optado por suspender a olmesartana que ele fazia uso e iniciado budesonida para tratamento de colite linfocítica (pensando na biópsia anterior). Também com pouca resposta.
O paciente segue com sintomas gastrointestinais, com dor abdominal, alternando diarreia com constipação. Foi ao PS em 12/2025 devido o novo quadro de “crise” de diarreia intensa com TC revelando “ileite”. Complementou com entero-RNM que foi normal.
O que sempre incomoda é essa ileite que vai e volta, em um paciente com diarreia crônica. Fico na dúvida se valeria outro exame endoscópico para ver se essa ileite vista na imagem voltou.
Apesar da investigação intensa não vejo evidência de DII. Mas o paciente segue com pouca resposta aos tratamentos empregados.
O que vocês acham?