POSICIONAMENTO DE TERAPIA EM CROHN ILEAL

Paciente 49 anos, sem comorbidades, sexo masculino,  com convênio. Histórico de diarreia de longa data, desde adolescência (6-7 evacuações dias, com urgência, pastosas, sem sangue ou muco). Nega perda ponderal, sem manifestações extraintestinais. Laboratório com hemograma, PCR, perfil de ferro, albumina – normais. Calprotectina de 157.

colono 09.08.25
ileite terminal – enantema com ulcerações recobertas por fibrina
bxs
íleo: organização arquitetural com alterações leves sugestivas de cronicidade –
alteração de organização arquitetural às custas de irregularidade arquitetural leve, com irregularidade de criptas e encurtamento de vilos
atividade neutrofilica acentuada, focal, em amostra íleo terminal

enterotc 23.10.25
espessamento parietal circunferencial e realce mucoso em segmento continuo de aproximadamente 20 cm do íleo distal, associado a estratificação da parede — target sign e proeminência da gordura submucosa adjacente.
observa-se outro segmento ileal com padrão semelhante, localizado de forma intercalada em topografia proximal, com extensão estimada em 10 cm, também com espessamento mural e realce
sinais que podem corresponder a DII em atividade em dois segmentos ileais.

Avaliação – DOENÇA DE CROHN ILEAL
— fator de mal prognostico – acometimento de delgado, segmentos longos e múltiplos

 

DÚVIDA: minha dúvida é sobre a escolha do primeiro biológico. Ainda não tenho Epstein barr igg.

Considerando 49 anos , sexo masculino, e se Epstein barr igg positivo, considero INFLIX +AZA? Ou tento adalimumabe monoterapia para evitar AZA?

Com essa idade já próxima aos 50 anos, mesmo sem comorbidades, vocês já pensariam em opções mais seguras como anti IL23p19 (guselcumabe, risanki)??

CROHN ILEAL – SEQUENCIAMENTO DE TERAPIA — FALHA ANTI TNF

Paciente de 70 anos com diagnóstico de Doença de Crohn desde o ano 2000, com histórico de acometimento ileocolônico inflamatório. Por longos anos recebeu tratamento inadequado (apenas com mesalazina oral), apesar de múltiplas colonoscopias evidenciando inflamação descontínua em cólon (com uma biópsia apresentando granuloma), frequentemente com ileíte distal. Apresenta comorbidades relevantes como obesidade grau III (peso 105 kg), apneia obstrutiva do sono, HAS, IC diastólica leve.

A partir de 2024, passou a apresentar piora clínica importante, com dor abdominal frequente, distensão abdominal, diarreia intermitente sem sangue ou muco e perda ponderal significativa (10 kg em 6 meses), e com calprotectina fecal de 3440 mcg/grama em 22.04.2025. Enterotomografia (16/10/2024): Espessamento e realce de íleo médio e distal, sem estenoses ou fístulas. Colonoscopia (08/01/2025): Ileíte erosiva leve; pólipo hiperplásico ressecado em sigmoide/ Histopatológico: ileite cronica leve em moderada atividade -focos de criptite neutrofilica, encurtamento de vilos; colite ativa leve não específica em colon direito, transverso e sigmoide/ pólipo hiperplásico de sigmoide

Optado por inicio de adalimumabe  em julho 25 (paciente sem convenio, prefiro adalimumabe para não usar combo de inflix + AZA devido idade e comorbidades), feita indução e após 40 mg a cada 2 semanas. Não houve resposta clínica em termos de redução de dor abdominal ou redução de episódios diarreicos, e laboratório mantém PCR alterada. Paciente apresenta crises de dor abdominal de forte intensidade, frequentemente com idas ao PS e uso de opioide. Calprotectina pós semana 6 de adalimumabe:  (3720 em 26.08.2025 – 2 meses pós inicio de ADA).

Mesmo considerando possibilidade de falha primária ao anti TNF, considerando demora para judicializar Stelara, tento otimizar adalimumabe para 40 mg semanal – otimizado em out/25. Paciente mantem-se sem melhora de sintomas. Em novembro, paciente comparece em uma consulta com dor abdominal intensa, abdome muito doloroso à palpação difusa – opto por encaminhar ao PS para realizar  TC abdome cc de urgência para descartar complicação. Esta TC evidencia ileite terminal, sem sinais de complicações/estenoses.

Repito calprotectina em jan 26, e paciente mantém calprotectina de 3200! Sem redução com adalimumabe otimizado. Dúvida: neste caso, a colonoscopia pré sequenciamento de terapia é obrigatória, uma vez que TC abdome c/c recente demonstrou persistência da ileite? Entendo que , quando a TC foi realizada (Sem protocolo de entero, foi na urgência), ainda talvez não houvesse tempo suficiente de biológico para cicatrização transmural. Contudo, paciente parece ter apresentado falha primária ao anti TNF, pois desde o início não houve resposta sintomática tampouco laboratorial/calprotectina. Considerando paciente idosa e com comorbidades, Crohn de acometimento ileal exclusivo (Atualmente) e ausência de resposta desde o inicio do adalimumabe, seria razoável trocar para Stelara sem nova colono, baseando-me na TC, calprotectina e clinica? Repito uma nova enteroTC antes do sequenciamento, mesmo com TC com contraste realizada demonstrando ileite e sem historia previa de estenose?

RCU falha anti TNF – conduta para modificar terapia

Paciente de 32 anos, portador de RCU com pancolite (Mayo 3 – erosões e algumas úlceras) ao diagnóstico e ileite de refluxo (enterotomo excluiu acometimento de delgado, a ileite era leve, compativel com ileite de refluxo da RCU), atividade moderada a grave, diagnóstico em 2025 (mas ja com sintomas de longa data e colonos previos alteradas), com falha à mesalazina. Também portador de colangite esclerosante primária. Era corticodependente, em julho de 2025 iniciei golimumabe, indução e após dose de manutenção com 100 mg (paciente obeso, peso 110 kg). obs – a enterotomo demonstrava redução das haustrações colonicas. Quadro inicial era de diarreia com sangue na maior parte das evacuações, 7-8 x dia, urgencia e tenesmo. Não apresentava anemia, mas VHS e PCR eram alterados.
Na induçao com Golimumabe, pareceu apresentar resposta clínica parcial, porém ainda estava em fase de desmame de corticoterapia. Após termino do desmame e inicio da dose de manutenção, voltou a apresentar diarreia com rajas de sangue. A família havia apresentado gastroenterite aguda, cogitei ser infeccioso. Clostridium negativo. Realizou calprotectina na semana 6, com ascenção da calprotectina (calpro pré biologico de 1130/ calpro pós semana 6 de golimumabe – 2310 ).
Como manteve ainda diarreia cerca de 4-5 x ao dia nas semanas posteriores, com ocasionais rajas de sangue , pareceu apresentar uma resposta parcial, mas ainda sem remissão clínica. A calprotectina persistiu elevada. Considerando paciente com obesidade, imaginei que nível serico da droga poderia estar insuficiente, e optei por otimização off label para 200 mg a cada 4 semanas do Golimumabe, em out/25
Paciente retornou em dez/25, mantendo calprotectina elevada -CALPROTECTINA dez/25: 1700* (pós otimização de golimumabe). Mantem 4-5 evacuaçõe ao dia, semi pastosas, reduziu urgencia, mantem episodios esporadicos de hematoquezia (2x na semana). PCR normalizou, VHS ainda discretamente alteraado (VHS 33)
Dúvida —
houve melhora sintomatica no inicio de terapia com golimumabe, porem nunca atingiu remissão clinica. considero que talvez frequencia evacuatória nao seja bom parametro, porque ha o componente de perda de haustrações colonicas visto em enterotomo. porem, ainda com hematoquezia esporadica e calprotectina alta.
pensei em troca de biologico para UPADACITINIBE OU STELARA. Diante disso, necessito realizar colono para documetar a falha terapeutica, ou posso me basear na clinica e calprotectina? A colono pré GOLIMUMABE com pancolite mayo 3 é de fev 25.

Marcas diferentes de infliximabe na indução

Temho uma dúvida prática. Consegui doação de infliximabe de marcas diferentes ( 8 ampolas Xilfya e  4 Remicade) . Teria problema fazer na indução  ?

Marcas diferentes de infliximabe na indução

Recebi doação do infliximabe de marcas diferentes para indução ( 8 Xilfya e 4 Remicade). Teria algum problema??

RETITE A ESCLARECER

Paciente de 34 anos, ha 2 anos apresentou diarreia liquida sem sangue ou muco, persistente por alguns meses.

Realizou em 2024 colono, que evidenciou íleo normal, reto normal, e apenas colite direita leve –> áreas de enantema em colon direito sem ulcerações, sem fibrina, e sem apagamento da vascularização submucosa. Biopsia apenas com infiltrado linfoplasmocitario em colon direito, sem granulomas, sem criptite, sem distorção arquitetural. EnteroTC de 2024 era normal.

Médico assistente da época passou mesalazina  VO 1600 mg/dia. Reduziu mesalazina 800 mg em 2025, Repetiu colono em 2025 , agora demonstrando: íleo terminal com pequenas áreas de granulações, válvula ileocecal e ceco normais. Segmentos colonicos normais. Mucosa retal friável e com área de hiperemia , friabilidade, e pequenas ulcerações – laudo : retite e ileite leve

Histopatológico 2025: biópsias de íleo , colon e reto normais! Ausência de infiltrado inflamatório tanto em íleo, quanto em cólon e reto. Arquitetura preservada em todos os segmentos.

Nega histórico de relação sexual anal. Sorologia HIV negativa, VDRL negativo.

Achei o quadro estanho! Inicialmente reto poupado e enantema inespecífico em colon direito – provavelmente algo infeccioso em 2024? Agora, apresentando uma retite que poderia corresponder à RCU, contudo, histopatológico absolutamente normal. Em uso de subdose de mesalazina prescrita por outro médico.

Swab anal mesmo sem relatar histórico de relação anal – IST? Suspendo mesalazina que já esta em subdose?

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