Doença de Crohn com suspeita de trajeto fistuloso: manejo clínico e resposta ao infliximabe

Enviado por: Renata Vaillant

Paciente, masculino, 34 anos, previamente sem comorbidades, etilista social, tabagismo 1/2 maço/ semana desde 15 anos, nega transfusões prévias, nega história familiar de neoplasia, nega alergia medicamentosa. De cirurgias prévias: apendicectomia aos 12 anos.

Ele relata que em 2015 iniciou quadro de diarreia com muco 5x/dia, associada a febre vespertina, dor abdominal em FID/Hipogastrio, submetido a colono que foi completa com achado de múltiplas ulcerações aftoides e com placas de fibrina e atrofia no íleo: HP doença inflamatória, intenso infiltrado inflamatório crônico com trajeto fistuloso e esboço de reação granulomatosa. Doença de Crohn?.Chegou a fazer uso de corticoide 20 mg/dia de pred.,
teve melhora parcial do quadro, fez também segundo ele Azatioprina (suspensa por pancreatite com necessidade de internação em CTI) e ficou até então sem acompanhamento e só com corticoide até 2024. Em meados de 2024 evoluiu com diarreia 7x/dia, com muco e episódios de hematoquezia, foi então em um gastro, que solicitou uma colono que não foi completa, devido à impossibilidade de progressão do aparelho por muco, e sangue no lúmen, com pseudopólipos, ulcerações no retossigmoide sendo realizado outro diagnóstico, de retocolite, é optado por outro especialista pela introdução de Sulfassalazina de 6/6h, melhorou o hábito intestinal porém no final do ano apresentou abaulamento e dor em região infra umbilical, com total de 4 internações por piora clínica até janeiro.E aí chegou na nossa emergência com história de persistência do quadro associado a calafrios de 2 dias de evolução.
Submetemos ele a uma TC com contraste evidenciando importante espessamento segmento ileal na região mesogástrica com possível trajeto fistuloso (não dava para bater martelo) e pequena coleção associada a pequenas bolhas de ar. Solicitamos calprotectina fecal para ter base: 1900, PCR da admissão 13,0, leuco 13.700, com desvio.
Fizemos anti parasitário, tazocin (porque tinha história recente de rocefin), e começamos corticoide e já programamos o início de infliximabe conforme TC… houve melhora do padrão, mas novamente não dava para bater o martelo em relação à fístula, PCR de 7 dias depois estava em 0,3, teve resposta clínica. Optamos então por iniciar infliximabe. E agora avaliar ambulatorialmente terapia combinada. Gostaria de ajuda de vocês diante disso, se fariam algo
diferente, se associariam outra droga, se abordariam cirurgicamente… grata

Parecer Técnico:

Conduta perfeita! Reavaliaria por exame de imagem o controle do abscesso e manteria IFX com metotrexato se possível (visto que não podemos mais fazer azatioprina). Avaliação cirúrgica seria importante sim e melhoraria o status inflamatório e nutricional, se estiver com corticoide desmamar. se viável dosagem IFX na semana 6. Esfriar processo inflamatório para abordar cirurgicamente em um segundo momento.

Avaliado por:

Dra. Marjorie Argollo | CRM/SP 127.444
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