Colite Segmentar com Displasia em Paciente Assintomática

Enviado por: Leonora S de F Couto

Paciente de 45 anos, feminina, em 2020 apresentou quadro de diarreia crônica, com alguns episódios esparsos de hematoquezia, e dor abdominal. Em 2020, realizou colonoscopia abaixo) e relata que recebeu diagnóstico de Crohn. Houve achado de displasia de baixo grau com acometimento das margens em polipo de sigmoide, repetiu colono com 6 meses, sem evidências de polipo ou displasia. Fez uso de monoterapia com azatioprina por 1 ano, no qual houve melhora dos sintomas. Relata que a médica assistente pensou em biológico, porém paciente relata dificuldade de cobertura pelo plano (?). Paciente perdeu seguimento após 1 ano de azatioprina, e interrompeu uso por conta própria em 2021.
Retorna em 2025 tendo apresentado episódio de internação em out/24 com diarreia líquida, 4-8x ao dia, com alguns episódios de hematoquezia. Internou por 3 dias, recebeu corticoide por apenas 2 dias. Clostridium negativo. Comparece em consulta em nov/24 após a alta já assintomática, exceto por queixa de artralgias em mãos de longa data, sem rigidez matinal. Retorna também em jan/25 assintomática do ponto de vista gastrintestinal, sem episódios diarreicos.

Calprotectina de nov/24 (pós-internação): 800
Repito calprotectina em dezembro de 2024: 40
EnteroTC 21.11.2024 : normal
Nova colonoscopia de nov/24: Íleo terminal normal /válvula ileocecal sem alterações /cólon descendente e sigmoide com perda do padrão vascular com discreto enantema/ conclusão: colite segmentar bxs ileo terminal normal /colon e reto sem alterações, exceto por colite ativa focal em sigmoide (com discretas alterações de cronicidade da organização arquitetural em sigmoide)

Exames prévios:
COLONO 20.10.2020: PROCTOSSIGMOIDITE E COLITE ESQUERDA MODERADAS (enantema , friabilidade, ulcerações rasas recobertas por fibrina) ILEITE LEVE (aspecto granular e mucosa enantematica)/ VÁLVULA ILEOCECAL SEM ALTERAÇÕES POLIPO SESSIL COLON SIGMOIDE BXS MUCOSA DE SIGMOIDE E DESCENDENTE COM INDÍCIO DE LESÃO INFLAMATÓRIA CRONICA, COM PLASMOCITOSE BASAL E DISTORÇÃO DE ARQUITETURA, CONSISTENTES COM DII PADRÃO DE LESÃO DESCONTINUO E INFLAMAÇÃO HETEROGÊNEO FAVORECEM DOENÇA DE CROHN LESÃO INFLAMATÓRIA CRONICA EM DESCENDENTE E SIGMOIDE LESÃO DE SIGMOIDE COM DISPLASIA DE ALTO GRAU ASSOCIADA A COLITE, COM TECIDO DISPLÁSICO PRESENTE NA MARGEM COLONO
03.12.2020: RETOSSIGMOIDITE LEVE (MUCOSA DE RETO E CÓLON NÃO APRESENTA ULCERAS, MAS COM ENANTEMA E DISCRETA PERDA DO PADRO VASCULAR EM ALGUNS SEGMENTOS) bxs MUCOSA DE CÓLON SIGMOIDE COM INDÍCIO DE LESÃO INFLAMATÓRIA CRONICA EVIDENCIADOS PELA PLASMOCITOSE BASAL E DISTORÇÃO DE ARQUITETURA, COMPATÍVEIS COM DII MUCOSA COM PADRÃO DESCONTINUO E INFLAMAÇÃO HETEROGÊNEA, SEM FORMAÇÃO DE GRANAULOMA MUCOSA DE RETO E ASCENDENTE COM EOSINOFILIA, SEM EVIDENCIAS DE LESÃO INFLAMATÓRIA CRONICA PADRÃO HETEROGÊNEO E DESCONTINUO, FAVORECE, INICIALMENTE, DOENÇA DE CROHN
EnteroTC 21.11.2024 (Sabin): normal
Enterografia computadorizada
10.11.2020: extensa turgência vascular ao longo do cólon descendente. Considerar possibilidade de colite .

DUVIDA: Me pergunto se não seria um caso de RCU (colite esquerda), pois não há descrição na colonoscopia de acometimento descontínuo – esse padrão foi sugerido nas biópsias. Paciente apresentou em 2020 uma displasia de alto grau em pólipo de sigmoide, o que me deixa mais tendenciosa a iniciar tratamento, mesmo que agora assintomática. Devo considerar a colite ativa focal identificada na colono atual como atividade histológica? Contudo – se doença de Crohn, me parece pouca atividade de doença para biológico (colono apenas com enantema, biopsias com colite ativa focal em sigmoide, calprotectina agora de 40). Cogitei observação caso considere doença de Crohn. Porém, seria possível considerar possibilidade de RCU e iniciar mesalazina? Também solicitei investigação da Reumatologia quanto às artralgias – MEI?

Parecer Técnico:

Realmente pela descrição não podemos afirmar se estamos diante de um dx de DC ou RCU. Lembara que alguns casos nos deixam mesmo na dúvida e por isso chamamo de indeterminada ou não classificada. Nesses casos o estudo de delgado pode nos auxiliar (nesse caso entero TC nl) e também a dosagem de p-ANCA e ASCA. Atualmente paciente em remissão clínica lab e endoscópica em atividade histológica (ou seja risco de recaída mais alto). Reavaliaria regularmente pensando na possibilidade de RCU. Displasia de alto grau em mucosa inflamada sempre difícil essa avaliação. Fato que devemos levar em consideração no segmento dessa paciente e após 8 anos de dx iniciar rastreamento com cromoscopia. Aguardaria retorno da reumato. Caso em discussão multi questionar uso de sulfa para controlar tb os sintomas articulares.

Avaliado por:

Dra. Marjorie Argollo | CRM/SP 127.444
>