RCU falha anti TNF – conduta para modificar terapia

Paciente de 32 anos, portador de RCU com pancolite (Mayo 3 – erosões e algumas úlceras) ao diagnóstico e ileite de refluxo (enterotomo excluiu acometimento de delgado, a ileite era leve, compativel com ileite de refluxo da RCU), atividade moderada a grave, diagnóstico em 2025 (mas ja com sintomas de longa data e colonos previos alteradas), com falha à mesalazina. Também portador de colangite esclerosante primária. Era corticodependente, em julho de 2025 iniciei golimumabe, indução e após dose de manutenção com 100 mg (paciente obeso, peso 110 kg). obs – a enterotomo demonstrava redução das haustrações colonicas. Quadro inicial era de diarreia com sangue na maior parte das evacuações, 7-8 x dia, urgencia e tenesmo. Não apresentava anemia, mas VHS e PCR eram alterados.
Na induçao com Golimumabe, pareceu apresentar resposta clínica parcial, porém ainda estava em fase de desmame de corticoterapia. Após termino do desmame e inicio da dose de manutenção, voltou a apresentar diarreia com rajas de sangue. A família havia apresentado gastroenterite aguda, cogitei ser infeccioso. Clostridium negativo. Realizou calprotectina na semana 6, com ascenção da calprotectina (calpro pré biologico de 1130/ calpro pós semana 6 de golimumabe – 2310 ).
Como manteve ainda diarreia cerca de 4-5 x ao dia nas semanas posteriores, com ocasionais rajas de sangue , pareceu apresentar uma resposta parcial, mas ainda sem remissão clínica. A calprotectina persistiu elevada. Considerando paciente com obesidade, imaginei que nível serico da droga poderia estar insuficiente, e optei por otimização off label para 200 mg a cada 4 semanas do Golimumabe, em out/25
Paciente retornou em dez/25, mantendo calprotectina elevada -CALPROTECTINA dez/25: 1700* (pós otimização de golimumabe). Mantem 4-5 evacuaçõe ao dia, semi pastosas, reduziu urgencia, mantem episodios esporadicos de hematoquezia (2x na semana). PCR normalizou, VHS ainda discretamente alteraado (VHS 33)
Dúvida —
houve melhora sintomatica no inicio de terapia com golimumabe, porem nunca atingiu remissão clinica. considero que talvez frequencia evacuatória nao seja bom parametro, porque ha o componente de perda de haustrações colonicas visto em enterotomo. porem, ainda com hematoquezia esporadica e calprotectina alta.
pensei em troca de biologico para UPADACITINIBE OU STELARA. Diante disso, necessito realizar colono para documetar a falha terapeutica, ou posso me basear na clinica e calprotectina? A colono pré GOLIMUMABE com pancolite mayo 3 é de fev 25.

Parecer Técnico:

caso lindo!!!! e parabéns pela condução! RCU e CEP são mesmo desafiadores pois o controle da atividade inflamatória é crucial para que haja impacto na diminuição do risco de CCR (lebrar que ele merece colono anual para atingir remissão e vigilância de displasia/neoplasia) Sem dúvidas paciente não encontra-se em remissão apresenta atividade clínica e bioquimica. Infelizmente para a troca de terapia avançada faz-se importante a documentacãoo de atividade endoscópica e histológica para afastarmos CMV por exemplo (entendo que fazer colono em paciente obeso pode ser complicado mas quem sabe pedimos uma retossigmoidoscopia com biópsia? assim não há necessidade de preparo e exposição/tempo de exame menor…) Ponderando risco benefício optaria por uma droga com perfil de segurança maior como vedolizumabe ou anti-IL-23. paciente deve sr do privado visto que estava com golimumabe certo?

Avaliado por:

Dra. Marjorie Argollo | CRM/SP 127.444
  • Sim, é paciente do privado! Faz mais sentido pensar em IL-23 ou vedo do que upadacitinibe considerando a obesidade, certo? Verdade, faz sentido rastrear CMV e documentar de forma endoscopica e histologica antes da troca de biologico! Obrigada!

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