Doença de Crohn grave- SUS

Paciente proveniente do SUS com diagnóstico de Doença de Crohn há aproximadamente 1 ano, porém com sintomas há cerca de 2 anos. Apresentou inicialmente quadro de tenesmo, sangramento retal, dor abdominal e diarreia (>10 evacuações/dia). Evoluiu com doença perianal complexa, sendo submetido à drenagem de abscesso e cirurgia de fístula anal.

Recebeu infliximabe associado à azatioprina, porém realizou apenas 3 infusões, sem resposta clínica percebida, sendo então substituído precocemente por vedolizumabe pelo médico assistente da época. Atualmente encontra-se ainda em fase de indução do vedolizumabe (apenas 2 doses realizadas). Veio em consulta comigo neste momento.

Desde o diagnóstico, nunca atingiu remissão clínica, mantendo atividade inflamatória persistente. Atualmente apresenta dor abdominal intensa, diarreia superior a 20 evacuações ao dia (só durante a minha consulta foi ao banheiro 4x), retorno da fístula, drenagem purulenta contínua pela região perianal (necessitando uso de absorvente) e perda ponderal de aproximadamente 40 kg, com peso atual de 47 kg.

RNM de pelve (05/2026): fístula perianal transesfincteriana, sem coleções.
Hemoglobina: 8,9 g/dL.
Plaquetas: 550.000/mm³.

Fiz a colonoscopia recente que evidenciou acometimento inflamatório contínuo do reto ao ceco, caracterizado por intenso enantema difuso, apagamento do padrão vascular, marcada friabilidade mucosa, múltiplas ulcerações  profundas, além de pontes mucosas, sem áreas de mucosa preservada. Íleo terminal sem alterações endoscópicas. Presença de trajeto fistuloso e ulcerações em canal anal/períneo.

O paciente está muito debilitado, perdeu emprego, parou de estudar… uma tristeza!

Pedi vários exames que ele ainda não tinha, incluindo rastreio infeccioso e calprotectina… a minha dúvida é: excluída infecção sobreposta e considerando o cenário do SUS, visto que é um perfil de paciente mal respondedor ao Vedo.. vocês tentariam novamente o IFX em dose otimizada com azatioprina, e corticoterapia no início? Pensariam em judicializar outra classe?

Parecer Técnico:

ola caso desafiador. gosto muito de upadacitinibe nesses casos. porem considerando cenário sus retomaria anti-TNF em comboterapia. Rever se o paciente foi mesmo considerado um não respondedor primário ou apenas em respondedor mais lento considerando a gravidade da doença. a não resposta primária sugere troca para um mecanismo de ação diferente. No caso apresentado vedolizumebe seria uma última opção visto o perfil do paciente teria tentado o ustequinumabe já que foi judicializado…. No momento retomaria anti TNF já otimizado em comboterapia (a doença perianal exige nívies séricos maiores). Cuidado com reação infusional se retomar IFX (por isso talvez considerar adalimumabe) a depender da logística do centro de infusão.

Avaliado por:

Dra. Marjorie Argollo | CRM/SP 127.444
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